Comecei a ler a Fanny Owen da Agustina Bessa-Luís para ver como é que ela escreve. A linguagem seca, aristocrática, tem uma ou outra ideia terna. Ainda no começo, encontrei no livro alguém que gosta de pessoas que choram. Gostava também de gostar de pessoas que choram, mas ver alguém chorar constrange-me de uma forma inexplicável. Não somos ensinados a lidar com as nossas emoções, e muito menos com as emoções dos outros. Se sou obrigada a consolar alguém que não me é muito próximo, sou competente a fazê-lo, mas nunca sinto compaixão. Mas sei que, se não houvesse choro, eu sentiria toda a compaixão do mundo. Nunca seremos completamente justos.
2 Comments:
Não conhecia o teu blog. Descobri-o por acaso. Gosto muito!
Tânia
Pois não, não o seremos. Sobra o consolo de tentar. Acho que o choro nos remete para o fundo d enós mesmos, e isso é o que mais custa.
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