Um pouco de texto
Acordo muito cedo e sou movida dos lençóis pelo exemplo de vida dum chilrear matutino. Ainda de olhos fechados, uma referência pop veio-me à memória, well the birds in your garden they all started singing this song... Pouco tempo depois, levo na cabeça os mesmos pássaros, mas em forma de raparigas-irmãs, de líricas vozes, que no mês próximo cantarão de frente para mim. Penso nisso. Depois, atravesso um caminho sem árvores que arde nos dias de calor. Enquanto deslizo nele, acelerada e entorpecida, penso no labirinto que é o lugar onde esse caminho me leva. Mas apenas com um café, o instinto conduz-me à porta, depois à cadeira. Começo a aprender, desenho palavras e pavilhões. Nesta altura, o raio dos pássaros andam a voar ou a apanhar minhocas, enquanto que eu estou dentro duma sala, presa na confusão de não entender bem se é ali que quero estar. Gosto do que me é mostrado. Não tenho de criar, alguém o fez por mim. (muito) Mais tarde, regresso a casa com um saco transparente na mão. Lá dentro trago a história dum gato que não consegue voar, vivendo triste por ser diferente dos outros gatinhos. Depois de muitas tentativas de voo frustradas, o gato percebe que afinal sabe nadar, em vez de voar, descobrindo assim o seu talento. Talvez (um) o dia se possa resumir assim.
1 Comments:
talvez um dia as palavras certas saibam pousar no silêncio da boca...
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