22.6.12

Finalmente, o caminho do sol.

7.6.12

O passado é um país estrangeiro



Quando tudo está sombrio, por dentro e por fora do dia, a sala de cinema é o lugar evasivo que devemos procurar. E o ecrã, o espelho que reflecte outra ficção que não a nossa e, por isso, tão necessária. Mas, se nuns momentos queremos ver cinema, noutros queremos ver televisão no cinema. O Verão do Skylab, da Julie Delpy, é um filme que contém precisamente esta ideia de estarmos sentados confortavelmente no sofá, a ver a história de um verão na vida de uma pré-adolescente, na Europa da década de 70. A simetria é imediata: Albertine é Julie Deply. E ainda bem, porque este filme é uma revisitação das memórias de infância da autora do filme. Temos o óbvio de tudo: a reunião de uma família com elementos muito diferentes entre si (uns partidários da esquerda e outros partidários da direita, por exemplo) que, a certa altura, é subitamente assolada por uma cena de tensão (é aqui que Delpy falha, quando força um ou outro  momento de profundidade dramática que não têm repercussão na totalidade do filme); o típico adolescente engatatão que fuma às escondidas; primos que brincam às primeiras experiências sexuais; os bailes de garagem com os habituais slows; a Orangina e toda uma série de referências a contextos históricos, etc. Ainda que este falshback da menina-mulher Albertine esteja no meio de uma desinteressante apresentação (e conclusão) daquilo que motivou esta viagem de Albertine adulta ao passado, o que este filme sugere ao espectador é a nostalgia encantada de uma Idade do Ouro, da qual fez parte a infância da Julie Delpy (uma geração que estará muito próxima da minha). E, embalados pelo véu sépia da fotografia, é possível ver este filme com um sorriso permanente, como se estivéssemos em casa, a folhear um passado que foi quase o nosso, para nos ajudar a relativizar o presente.

27.11.11

A invenção da vida moderna

3.10.11

To be

Mais indagada da vida que no garden of eden.

29.9.11

A(s) Rita(s) e a(s) Lira(s)

Furor divino

Jogo no Euromilhões como o Lobo Antunes diz escrever os livros: deixo a mão ser comandada por essa outra qualquer coisa que me é alheia. Enquanto da mão do escritor saem letras, da minha saem números, sequências que se revelam frustradas, semana após semana, ou quando me lembro de tentar a sorte. No entanto, nas vezes que jogo, tenho esperança que esse furor divino tome conta de mim e me leve a um porto desconhecido, abastado, sem dúvida alguma, livre.